Alfabetização, Pandemia e Defasagem

A alfabetização ocupa um lugar central no universo escolar, ainda que o nível de letramento seja insatisfatório para uma grande parte da população. Ela acontece a partir da interação entre o alfabetizando e a escrita, por meio de diferentes materiais e experiências com os quais o aluno formula e comprova hipóteses.

E nesse processo a relação com o professor e com o grupo de colegas é tão fundamental quanto as técnicas utilizadas. A comunicação, a troca e as intervenções corretas são ferramentas imprescindíveis para a eficiência de aprendizagem.

Nos últimos dois anos, o contato interativo foi prejudicado com a pandemia, e dúvidas que poderiam ser sanadas facilmente em sala de aula foram acumuladas, mesmo com as aulas online e posteriormente híbridas.

Assim, a distância entre o conhecimento adquirido e o que o aluno deveria aprender tornou-se grande, ou seja, houve defasagem de conteúdo. Seja porque os alunos e famílias não cumpriram sua parte nos novos moldes do momento ou por outras questões mais amplas, como a falta de acesso às mídias por boa parte da população escolar.

O fato é que existe uma defasagem preocupante na fase de alfabetização e é preciso que a escola estabeleça estratégias que promovam uma aceleração da aprendizagem sem, no entanto, desconsiderar o currículo, o que é um grande desafio.

Para além das ideias básicas como o reforço pedagógico, atividades diferenciadas e parceria com as famílias, os professores é que continuam com a maior responsabilidade na solução deste cenário.

Pensando nisso, considero que é um momento para estabelecer prioridades e garantir o conteúdo básico necessário. Neste sentido, é importante diversificar estratégias e metodologias, como utilizar a ludicidade de jogos e brincadeiras, inserir materiais concretos e de fácil manipulação e desenvolver pequenos projetos e sequências didáticas que envolvam os alunos nas temáticas a serem abordadas.

Em resumo, é fazer o básico bem-feito, como comida simples, que o segredo é temperar com compromisso, responsabilidade e afeto, porque competência não falta aos nossos professores

Le Melo

Pedagoga, Psicopedagoga, especialista em Docência do Ensino Superior e Educação Ambiental. Escritora e poetisa